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A força oculta do discurso.

Por discurso se pode entender uma forma organizada de se apresentar uma ideia. Um discurso pode ser um texto que alguém apresenta a um determinado público, a fim de manifestar seus sentimentos, interesses e desejos. Mas o conceito pode abarcar uma extensão muito maior de sentidos. Assim, podemos dizer que o discurso de uma sociedade abrange toda uma infinidade de pressupostos, dogmas e códigos morais, com a finalidade de dar sustentação à sobrevivência daquele grupo de pessoas.

Foucault nos ensina que o discurso tem em uma sociedade a função de controlar, selecionar e organizar, pela via de processos de exclusão e interdição as possibilidades de manifestação dos sujeitos enquanto seus membros, revelando assim o estado de permanente tensão entre os discursos dos indivíduos com o discurso da sociedade. As instituições das quais a sociedade se utiliza para ratificar seu discurso se encarregam de estabelecer os sistemas de averbação da voz do indivíduo, permitindo-lhe ou negando-lhe acesso ao direito de ter seu discurso acolhido, reconhecido como portador de valor.

Isso por sua vez, revela o vínculo do discurso com o desejo e com o poder. Foucault evoca ainda o discurso da Psicanálise para afirmar que “o discurso não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo, mas também é aquilo que é o objeto do desejo. O discurso não é somente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder do qual queremos nos apoderar”.

Então, um discurso não apenas relata, explica, expõe, mas, traz em seu cerne, mesmo que na maioria das vezes de forma deliberadamente oculta, uma intencionalidade, um conteúdo ideológico o qual pretende transmitir juntamente com seu relato, sua explicação, sua exposição.

Essa intencionalidade, ouso afirmar, é aquela que ferirá de morte o sujeito em sua essência, a partir do momento em que o prender em suas malhas ocultas sob o denso nevoeiro da manipulação consciente e direcionada das ferramentas metalinguísticas em desfavor da semântica, que enfatizam o código em detrimento do conteúdo com o intuito claro de não ser claro, mas, obscurecer para confundir e assim atingir com menos resistência seus objetivos.

Dona Marisa Letícia ao ódio respondeu doando seu órgãos

Assino solidariamente.

Leonardo Boff

Dona Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, morreu num contexto politico conturbado. Nas palavras do próprio Lula, “ela morreu triste” e também traumatizada.

Diz-se que todas as instituições funcionam. Mas não se qualifica o seu funcionamento. Funcionam mal. Em outras palavras não funcionam. Se tomamos como referência a mais alta corte da nação, o STF ai fica claro que as instituições estão corrompidas, incluindo a PF e o MP. Especialmente o STF é atravessado por interesses politicos e um dos seus ministros, de forma escancarada, rompe diretamente a ética de todo magistrado, falando criticando, atacando fora dos autos e tomando claramente posição por um partido; nada acontece, no nosso vale tudo jurídico, quando deveria sentir o rigor da lei e sofrer um impeachment. Esta situação é um sinal inequívoco que estamos numa derrocada política, ética e institucional. O Brasil vai de mal a pior pois todos os dias os itens…

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Antes da hora (elegia a Vander Lee)

Morre sem a menor necessidade, sem um pingo de concordância de quem quer que possamos imaginar, um anjo que a tantos corações acalentou, que a tantos sofredores deu sua dor por espelho, para talvez tornar a dor do outro um pouco menor, já que a desnudava e desmascarava com maestria.

Morre um amigo nosso, que nem precisava nos conhecer para ser mais íntimo. Sinto que ele sentia o que nos tornava iguais. Sinto que ele sofria cada dia e agora não sofre mais, pelo menos no plano em que ficamos sem ele.

Morre um bastião da poesia e da boa música. Cai um balaústre da cultura. E isso deixa à mostra o empobrecimento cultural que nos aflige, pois muito nos custará apontar um que seja, que o possa substituir em qualidade.

Da mesma forma, ficamos sem uma excelente referência no que diz respeito à ética, ao humanitarismo, à decência e aos bons princípios. Esse moço era um exemplo de humildade, de boas maneiras e de doçura, itens em falta nas prateleiras da moral hodierna.

Duplamente então, ficamos a fitar o horizonte, não esperando aviões, mas a desejar que em seu jardim, Deus possa ouvir o menino que viveu 50 anos mas sobreviverá outros tantos, em suas letras e músicas inigualáveis, aqui deixadas órfãs tão precocemente.

Viva bem Vander Lee, onde quer que seu espírito repouse, pois se seu corpo padeceu, sua alma é imortal.

Texto também publicado em:

http://pontesdeapoio.blogspot.com/2016/08/morre-sem-menor-necessidade-sem-um.html

A plebe patética aplaude.

Algumas coisas precisam ser tratadas com mais cautela que outras, se queremos ter o respeito de quem nos ouve. Nossas palavras precisam ser pensadas antes de estarem prontas a sair de nossas bocas, se queremos estar de acordo com o que a sociedade cobra das pessoas equilibradas, ou seja, se desejamos ser contados entre os racionais. Não estamos falando de racionais que usam a razão para embasar suas palavras com certo grau de lógica em sua articulação, mas de racionais que raciocinam, ponderam, buscam equilíbrio, agem com sobriedade e bom senso.

Bom senso é o que tem faltado a muitos brasileiros que, não todos é claro, mas certamente alguns, até movidos por louvável intenção, sem entretanto fazer uso da racionalidade à qual me refiro acima, usam e abusam indiscriminadamente da não menos louvável liberdade que, a despeito de ser escassa em muitas partes do mundo, desfrutamos sem limites nessas terras brasileiras.

Sim. Aqui podemos falar e fazer tudo o que desejamos. Nem as leis precisam ser respeitadas. Isso mesmo!!! Para quem não percebeu ainda, vivemos em um estado de exceção velado. Prova disso é que membros do Ministério Público, poder paralelo que se tornou a partir da promulgação da Constituição de 1988, já estão se sobrepondo aos princípios legais mais básicos, em nome da autopromoção, em busca da fama a qualquer custo. Ou é outra coisa o que busca o senhor promotor de justiça Cassio Consentino, assim como alguns outros promotores e até juízes?

Ora, os cargos ocupados por estes senhores nos leva a pressupor que sejam exímios conhecedores das leis do país, responsáveis que são pela defesa da legalidade e do cumprimento das leis pelos paisanos seus pares. Mas, pelo contrário, são eles próprios grandes ofensores dos ditames legais. São eles que, ofuscados pelo egoísmo, se entregam ao delicioso calor dos holofotes, ao inebriante espoucar dos flashes e aos aplausos ridículos de alguns representantes da desesperada classe média que se vê cada vez mais longe dos ricos e mais perto dos pobres.

E esses servidores do povo, que deviam perseguir a todo custo o cumprimento das leis que regem nossa sociedade, atropelam eles mesmos tais regimentos, banalizando, vulgarizando, empobrecendo um sistema jurídico que por si mesmo já é pobre, frágil, envelhecido e desatualizado. E que se dane nossa jovem e não menos frágil democracia.

Para que não haja parcialidade no que digo, reprovo com a mesma veemência a atitude do Juiz Moro, que deveria, como Juiz de Direito envolvido em um caso de tanto vulto, fugir das câmeras, evitar falar fora do processo. Mas ele sai a dar palestras e expor sua opinião pessoal em público. O mesmo serve para Delegados de Polícia que se manifestam publicamente acerca de inquéritos em andamento, vulgarizando o trabalho de investigação.

Se colocar diante das câmeras afirmando que fulano ou sicrano é responsável por isso ou aquilo, certamente não é o papel de investigadores, promotores ou juízes. Ao investigadores cabe reunir provas e encaminhar à Justiça, aos promotores cabe, quando for o caso, ratificar a investigação e oferecer denúncia à Justiça. Aos juízes cabe julgar. Não há previsão legal para que algum desses servidores levem ao público suas opiniões. Qualquer rábula perceberia o abuso e os atropelos.

Mas, como disse acima, eles estão atropelando as leis e fazendo do exercício de sua função, palco e palanque.

E a plebe patética, aplaude…

França: vítima ou algoz?

Ao som de Eagles of Death, as águias da morte, grupo de hard metal que tocava no famoso Bataclan, os atentados ocorridos na sexta-feira 13 de novembro de 2015 em Paris, ocasionaram a morte de quase 150  pessoas e o ferimento de mais 350, pelo menos. 

O mundo se apressa em vestir as cores da bandeira francesa e a marselhesa é ouvida com emoção mundo afora. Nada digno de comemoração.

Mas, convenhamos, essas vítimas bem que estão colhendo o fruto de uma cultura escravista colonialista e sanguinária. O preço nem é assim tão alto, se levado em consideração o fato de que os franceses escravizaram a maior parte da África, onde ainda mantém colônias até hoje, pasmem.

Não só na África, mas em outras partes, o império francês sugou e ainda suga, mantendo milhares, senão milhões de pessoas em extrema miséria, enquanto os palácios parisienses engordam. É fato, mas passa despercebido, que a França ainda mantém 16 colônias mundo afora, assim como os ingleses e os americanos, todos autointitulados defensores da liberdade e da igualdade entre os homens, também ainda mantêm pessoas sem o direito a uma nacionalidade livre.

O lema francês não podia ser mais contraditório. Se a revolução francesa gritou Liberté, Egalité, Fraternité, como pode ser, que até hoje, em pleno século XXI, mais de duzentos anos depois, tanta gente continue a ser tratada como pessoas de segunda classe, sem direito à própria nacionalidade?

Em 2007, mais de 8.000 ciganos foram deportados, unicamente em função de sua origem racial. Como lixo incômodo, foram empurrados para a Romênia e a Bulgária.

Assim como Portugal e Espanha exploraram e sugaram o sangue latino, a França exauriu as riquezas minerais africanas, deixando, aos moldes de seus vizinhos, um rastro de miséria pelos caminhos de suas explorações coloniais, que massacraram povos e destruíram culturas.

Portugal e Espanha e até mesmo a Grécia, são hoje símbolo da decadência de impérios europeus colonizadores do passado. A França não. Ainda hoje coloniza. Ainda explora, suga e domina. Eis uma faceta que a imprensa internacional, tendenciosa e oportunista, não se preocupa em mostrar. 

Ninguém pede orações pelos povos colonizados e sedentos de liberdade, de identidade. Ninguém muda a cor do seu perfil do Facebook para as cores dos miseráveis africanos, de onde os franceses tiraram e continuam tirando riquezas e deixando miséria, fome e morte. Mas as águias também morrem.

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Vem para matar, roubar e destruir. O diabo? Não, as mineradoras.

Desde que as Minas Gerais existem, os estrangeiros cavoucam nosso subsolo em busca de ouro, pedras, ferro e tudo o que possa ser muito, mas muito lucrativo. Mas isso não é prerrogativa nossa. No mundo inteiro existem minas, mineiros, escravos, viúvas, órfãos e natureza devastada. O desrespeito é generalizado, contra tudo e contra todos. Só eles se beneficiam disso. Eles e alguns dos nossos, prostitutos que vendem suas almas e nossos corpos.

E então, os caras fazem uma piscina de lama gigantesca no alto da montanha, onde depositam o resto do que retiraram de nossa terra. Eles podem usar água á vontade, enquanto nós temos que cumprir a meta de economia de 30%, ou somos ameaçados pelo governo com aumento de tarifa ou racionamento.

Se não bastasse, eles sujam as cidades ao seu redor com poeira, ao transportar o minério. Mas, não são multados como nós certamente o somos até se colocarmos o lixo pra fora no dia errado.

Aí, como se fosse pouca coisa, ou nada, derramam seu lixo sobre as cabeças de centenas de pessoas, atingindo milhares de outras. Matam os rios quando mais precisamos de água. Matam os peixes, árvores e tudo o que sua lama maldita alcançar. Na verdade, nem sabemos ainda o tamanho do estrago, mas é certo que é maior do que se tem noticiado.

Ninguém sabe exatamente quantas pessoas morreram, quantas estão desaparecidas, ou quantas vão ficar sem água nos próximos dias.

E os caminhoneiros estão preocupados com o preço do frete. Os políticos mesquinhos e oportunistas estão forjando uma greve nacional de caminhoneiros pela derrubada do governo federal. E o Rio Doce foi violentamente agredido. Milhares de peixes mortos. Pescadores e ribeirinhos sem saber o que fazer.

E as mineradoras vão se comprometer a pagar um aluguel social aos que sobreviveram no vilarejo completamente destruído, literalmente apagado do mapa. Logo as coisas voltam ao normal. A mineradora vai continuar a poluir, gastar água e acumular lama em algum canto, até que outra barragem se arrebente e surjam outros órfãos e viúvas. Sempre foi assim, aqui em Minas e no resto do mundo.

E nossos deputados e senadores, nem ao menos se manifestaram. Ou estão preocupados em derrubar o governo, ou em esconder sua própria lama.

Estamos a pé e a pé vamos continuar.

 

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CONTRAN. Fábrica de obrigatoriedades inúteis.

Tem algo muito estranho na forma como nós lidamos com as coisas. E digo nós, pois parece que isso está entranhado na nossa cultura, de modo que em todas as áreas podemos perceber atitudes muito parecidas. Vejamos…

Temos uma instância federal chamada CONTRAN, que parece ser habitada por seres de outro planeta, ou por idiotas completamente incapazes de pensar, se não de larápios safados. Sim. Só pode ser uma dessas opções, para levar as pessoas com o maior poder de decisão em um assunto tão sério como a sua competência, já que é o órgão máximo normativo consultivo e coordenador da política nacional de trânsito e responsável pela regulamentação do CTB.

Ora, as pessoas que administram esse conselho ou são totalmente incapazes, ou estão brincando com coisa séria. Baseio-me, para trazer apenas os dois últimos casos mais gritantes, na verdadeira palhaçada que se tornou a falta de critérios em relação aos extintores de incêndio e os cintos de segurança.

Primeiro, os ilustres energúmenos conselheiros do trânsito brasileiro determinam que todo veículo tem que passar a usar um determinado tipo de extintor de incêndio e dão um prazo para a substituição, ameaçando de multa o cidadão que não respeitar a douta decisão.

Todos corremos e investimos na segurança, compramos os inflacionados extintores, já que o mercado não ia perder a oportunidade de subir o preço, considerado o exíguo prazo estabelecido pela resolução. E não é que, poucos meses depois, ao invés de cumprir a ameaça de fiscalizar o uso do novo equipamento, o mesmo conselho resolve extinguir a obrigatoriedade do uso de qualquer extintor?

O mesmo ocorreu com os cintos de segurança. Tornaram obrigatória a utilização do cinto de três pontas. E as multas pela não utilização do equipamento são aplicadas até por meio de câmeras de vigilância em algumas cidades. Pois já está ventilando por aí que os caras estão cogitando autorizar a volta do cinto de dois pontos, outrora julgados por eles mesmos como ineficientes.

Esses são os mesmos doutores que criaram e tornaram obrigatórios, sob pena de multa, o kit de primeiros socorros, as faixas adesivas reflexivas para caminhões, capacetes e coletes de motociclistas, entre outras inutilidades. Também são os que mudam os modelos e os tamanhos das placas de tempos em tempos, obrigando o proprietário de veículos a consumir produtos. Parece que existe um mecanismo de promoção de produtos. Isso devia ser alvo de investigação, de CPI “et al”.

Os caras parecem estar experimentando. Resolvem que vai ser assim e tornam obrigatório, depois percebem que não era bem assim. Aí tornam obrigatório voltar ao modelo antigo. Depois liberam geral. Até quando?

E o que se faz contra isso? Nada!!!   Aí não dá pra levar o Brasil a sério.

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