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A ética pseudo-cristã e o espírito do consumismo no Século XXI

dezembro 30, 2013

Ousei fazer um trocadilho com o título do clássico de Max Weber, a fim mesmo de tentar atingir os brios dos que se dizem cristãos sem ao menos saber as implicações éticas, morais e sociais a que se vê exposto o que resolve ostentar tal título.

Acontece que uma grande parcela da sociedade brasileira abraçou nos últimos anos o direito à livre manifestação de culto garantido pela Constituição Federal, muitos levados pelo modismo, outros pela pura ganância mesmo. Uns se tornaram verdadeiros tietes de “cantores gospel” ou de missionários, pastores, bispos e bispas, apóstolos e sei lá mais quantos títulos sob os quais se escondem pessoas de atitudes nada recomendáveis a quem se diz pregador da Palavra de Deus. Outros demonstram, pelo seu discurso e prática, estarem dispostos a fazer o que for preciso para se verem no direito de exigir de Deus a bênção (material na maioria dos casos), pela qual pagam aos autointitulados retromencionados. Não precisamos lembrar as frequentes denúncias de enriquecimento ilícito a eles atribuído.

Mas o que me move aqui, não é mais que demonstrar o quanto estão inculcados nas pessoas os valores da lei do mercado consumista no qual vivemos, a ponto de ofuscar a muitos, impedindo-os de discernir entre o que é regra do mercado capitalista e o que deveria permanecer na esfera do sagrado, do transcendente. Pois se tornou normal e aceitável nas igrejas, as pessoas negociarem com Deus, com prazos, valores e condições bem estabelecidos. Não é mais como antes, quando Deus, por sua vontade estabelecia pactos e ditava as regras. Agora o crente vai a Ele (a seus representantes) com o pedido pronto, estabelece a forma de pagamento e já começa a exigir a entrega.

A semelhança com o mercado não para aí, pois, assim como temos que adquirir um bem novo, às vezes antes de acabarmos de pagar o anterior, também os cristãos do Século XXI buscam nos shoppings da bênção os produtos importados do mundo espiritual. E são produtos de vida útil curta e que atendem a fins muito específicos.

A concorrência entre esses shoppings é tão interessante, que os pontos de instalação são cuidadosamente escolhidos e as lojas ganham nomes sugestivos como Universal, Internacional, Mundial, do reino, da graça, do poder. Tudo muito grandioso e ao mesmo tempo subjetivo, deixando à imaginação do consumidor a formação do sentido.

Outras redes de lojas funcionam como franquias e mudam de nome conforme o público-alvo e o local onde se estabelecem. É sim, a aplicação de recursos de marketing para a comercialização daquilo que, por sua essência incomensurável era para ser doado, a saber, o impalpável refrigério da alma angustiada dos consumidores por meio da etérea e não menos comprovável ação do transcendente.

O futuro dessa ilusão já pode ser sentido. A sociedade tem se desmoronado em atos antes impensáveis de violência e degradação. As decepções recrudescem os corações de alguns e outros se tornam como os viciados em drogas, eternos dependentes dos fornecedores de alívio temporário. A ética dos pseudo-cristãos do Século XXI, no Brasil pelo menos, em nada lembra o proposto no sermão da montanha, que podemos certamente usar como parâmetro da ética do Cristo, modelo desde sempre abandonado pelos cristãos.

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