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Autofagia social – os fortes sobreviverão

abril 10, 2014

Nossa sociedade está atravessando uma das maiores crises de sua história. É possível que este momento venha a ser lido no futuro como um marco, a partir do qual se definiu o começo da mudança de hábitos e de costumes no Brasil.

Não creiamos que essas mudanças se darão de forma suave, sem sofrimentos. Há que se cortar na carne de cada um. Na carne mesmo.

Exemplo de que há que se mudar posturas é a falta de água nos grandes centros, como já começa a ocorrer em São Paulo. Se no ano passado choveu menos que o esperado, em três meses deste ano já se mostra o colapso do sistema de abastecimento da maior metrópole do país. Governos se alternam há décadas, sem que uma ação preventiva (de inteligência de Estado) tenha sido seriamente considerada, ou posta em andamento. Agora, quando a natureza não faz cair o maná das nuvens, os “especialistas em ações emergenciais” aparecem com os planos mais exóticos, que todos sabemos, não resolverão o problema. Mais provável é que alguns oportunistas venham a engordar suas fortunas a partir da desgraça e do desespero coletivo. 

É possível que de agora em diante, se perceba que fugir do Nordeste para São Paulo não significa fugir da escassez de água, mas, disputá-la com mais gente em menos espaço. Talvez essas sejam as palavras tortas da Providência a nos advertir sobre o quanto temos andado em círculos, o quanto somos míopes e imediatistas.

Outro aspecto intrigante, resultante da aglomeração de indivíduos em um espaço resumido e inadequado, nos aproxima de outros animais, como os ratos, cujas sociedades, em casos de superpopulação, entram em colapso e partem para a autofagia como mecanismo de controle populacional. Isso de certa forma, explica o acelerado e injustificável aumento dos níveis de violência que temos experimentado. Indivíduos, cada vez mais jovens, se envolvendo em atos de violência jamais vistos, sem uma motivação plausível.

Se não fomentássemos o acúmulo de pessoas nas metrópoles; se, pelo contrário, houvesse investimento em uma distribuição pulverizada de condições de sobrevivência pela vastidão de terras de que dispomos, certamente não se consumiria toda a água dos reservatórios paulistanos, por exemplo.

É possível que em breve, por mera questão de sobrevivência mesmo, haja uma inversão nos movimentos de migração interna no Brasil. Para fugir da violência e da falta de recursos indispensáveis como a água, precisaremos nos dispersar, “desinchar” as grandes cidades. Como previu Darwin, os fortes sobreviverão.

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