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Olho por olho – como conter o efeito colateral do emédio caseiro?

abril 10, 2014

Olho por olho, dente por dente. Acabaremos todos cegos e banguelas.

 

Há pouco tempo eu mesmo conclamei aqui as pessoas a saírem da inércia e a reagirem contra a violência do dia-a-dia, contra a violência institucionalizada, contra o não reaja imposto pelos que nos querem dependentes.

É claro que não sou eu, nem um outro pensador qualquer, o motivador de quem quer que seja. As pessoas reagem quando sentem que não há quem o faça em seu lugar. Assim, como muitos previam, já estamos experimentando a sensação de insegurança social que prevemos há poucos meses. E nós mesmos não acreditávamos que isso aconteceria tão cedo. Mas já está acontecendo.

Espalham-se pelo país, já dezenas de casos em que os cidadãos, cansados de esperar pela ação da Justiça, cansados de ver se multiplicar a injustiça e a sucumbência da segurança pública, partem para a ação em defesa de si mesmos e de seu patrimônio.

Ladrões estão sendo amarrados em postes, acorrentados, espancados e como era de se esperar, a primeira morte já ocorreu. Sim, um infeliz tentou perpetrar um roubo em um coletivo em Belo Horizonte no dia 01 de março de 2014. Os próprios passageiros, sabedores de que se ele fosse preso, não ficaria na cadeia mais que alguns dias, resolveram dar vazão ao desejo de justiça. Espancaram o sujeito ali mesmo dentro do ônibus e o despejaram em um ponto de parada, já sem vida.

É de se lamentar que as coisas tenham chegado a tal ponto. O Estado não tem, nem terá condições reais de conter a criminalidade e pior que isso, não poderá evitar que o povo, desprovido da proteção pela qual paga e paga caro com impostos e taxas sem fim, parta para a ação e se defenda a si mesmo.

Certamente surgirão os defensores dos direitos humanos, que só aparecem mesmo para defender os direitos dos criminosos, para pregar a não violência por parte da sociedade, a despeito da violência que esta sempre sofre, como vítima que historicamente tem sido. Mas isso também não conterá os justiceiros da causa própria, os quais não podem mesmo ser acusados, já que agem em legítima defesa.

Daí que corremos o risco de entrar em um círculo vicioso sem precedentes e sem uma perspectiva de saída desejável. A lei de Talião é um sopro etílico na centelha de violência em nós contida pela repressão da civilização. Se não se consegue conter a doença, como agora conter o efeito colateral do remédio caseiro?

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