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A plebe patética aplaude.

março 11, 2016

Algumas coisas precisam ser tratadas com mais cautela que outras, se queremos ter o respeito de quem nos ouve. Nossas palavras precisam ser pensadas antes de estarem prontas a sair de nossas bocas, se queremos estar de acordo com o que a sociedade cobra das pessoas equilibradas, ou seja, se desejamos ser contados entre os racionais. Não estamos falando de racionais que usam a razão para embasar suas palavras com certo grau de lógica em sua articulação, mas de racionais que raciocinam, ponderam, buscam equilíbrio, agem com sobriedade e bom senso.

Bom senso é o que tem faltado a muitos brasileiros que, não todos é claro, mas certamente alguns, até movidos por louvável intenção, sem entretanto fazer uso da racionalidade à qual me refiro acima, usam e abusam indiscriminadamente da não menos louvável liberdade que, a despeito de ser escassa em muitas partes do mundo, desfrutamos sem limites nessas terras brasileiras.

Sim. Aqui podemos falar e fazer tudo o que desejamos. Nem as leis precisam ser respeitadas. Isso mesmo!!! Para quem não percebeu ainda, vivemos em um estado de exceção velado. Prova disso é que membros do Ministério Público, poder paralelo que se tornou a partir da promulgação da Constituição de 1988, já estão se sobrepondo aos princípios legais mais básicos, em nome da autopromoção, em busca da fama a qualquer custo. Ou é outra coisa o que busca o senhor promotor de justiça Cassio Consentino, assim como alguns outros promotores e até juízes?

Ora, os cargos ocupados por estes senhores nos leva a pressupor que sejam exímios conhecedores das leis do país, responsáveis que são pela defesa da legalidade e do cumprimento das leis pelos paisanos seus pares. Mas, pelo contrário, são eles próprios grandes ofensores dos ditames legais. São eles que, ofuscados pelo egoísmo, se entregam ao delicioso calor dos holofotes, ao inebriante espoucar dos flashes e aos aplausos ridículos de alguns representantes da desesperada classe média que se vê cada vez mais longe dos ricos e mais perto dos pobres.

E esses servidores do povo, que deviam perseguir a todo custo o cumprimento das leis que regem nossa sociedade, atropelam eles mesmos tais regimentos, banalizando, vulgarizando, empobrecendo um sistema jurídico que por si mesmo já é pobre, frágil, envelhecido e desatualizado. E que se dane nossa jovem e não menos frágil democracia.

Para que não haja parcialidade no que digo, reprovo com a mesma veemência a atitude do Juiz Moro, que deveria, como Juiz de Direito envolvido em um caso de tanto vulto, fugir das câmeras, evitar falar fora do processo. Mas ele sai a dar palestras e expor sua opinião pessoal em público. O mesmo serve para Delegados de Polícia que se manifestam publicamente acerca de inquéritos em andamento, vulgarizando o trabalho de investigação.

Se colocar diante das câmeras afirmando que fulano ou sicrano é responsável por isso ou aquilo, certamente não é o papel de investigadores, promotores ou juízes. Ao investigadores cabe reunir provas e encaminhar à Justiça, aos promotores cabe, quando for o caso, ratificar a investigação e oferecer denúncia à Justiça. Aos juízes cabe julgar. Não há previsão legal para que algum desses servidores levem ao público suas opiniões. Qualquer rábula perceberia o abuso e os atropelos.

Mas, como disse acima, eles estão atropelando as leis e fazendo do exercício de sua função, palco e palanque.

E a plebe patética, aplaude…

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