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A força oculta do discurso.

fevereiro 24, 2017

Por discurso se pode entender uma forma organizada de se apresentar uma ideia. Um discurso pode ser um texto que alguém apresenta a um determinado público, a fim de manifestar seus sentimentos, interesses e desejos. Mas o conceito pode abarcar uma extensão muito maior de sentidos. Assim, podemos dizer que o discurso de uma sociedade abrange toda uma infinidade de pressupostos, dogmas e códigos morais, com a finalidade de dar sustentação à sobrevivência daquele grupo de pessoas.

Foucault nos ensina que o discurso tem em uma sociedade a função de controlar, selecionar e organizar, pela via de processos de exclusão e interdição as possibilidades de manifestação dos sujeitos enquanto seus membros, revelando assim o estado de permanente tensão entre os discursos dos indivíduos com o discurso da sociedade. As instituições das quais a sociedade se utiliza para ratificar seu discurso se encarregam de estabelecer os sistemas de averbação da voz do indivíduo, permitindo-lhe ou negando-lhe acesso ao direito de ter seu discurso acolhido, reconhecido como portador de valor.

Isso por sua vez, revela o vínculo do discurso com o desejo e com o poder. Foucault evoca ainda o discurso da Psicanálise para afirmar que “o discurso não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo, mas também é aquilo que é o objeto do desejo. O discurso não é somente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder do qual queremos nos apoderar”.

Então, um discurso não apenas relata, explica, expõe, mas, traz em seu cerne, mesmo que na maioria das vezes de forma deliberadamente oculta, uma intencionalidade, um conteúdo ideológico o qual pretende transmitir juntamente com seu relato, sua explicação, sua exposição.

Essa intencionalidade, ouso afirmar, é aquela que ferirá de morte o sujeito em sua essência, a partir do momento em que o prender em suas malhas ocultas sob o denso nevoeiro da manipulação consciente e direcionada das ferramentas metalinguísticas em desfavor da semântica, que enfatizam o código em detrimento do conteúdo com o intuito claro de não ser claro, mas, obscurecer para confundir e assim atingir com menos resistência seus objetivos.

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